Ficha Técnica – O primeiro moralizador uruguaio
qua, 28 de setembro de 2016 05:31
Nosso primeiro encontro foi aos meus oito anos. Até então, minhas aflições pairavam sobre Biotônico Fontoura, TV Fofão, o rock do Ronald McDonald’s e se o Freeza mataria o Goku no próximo episódio de Dragon Ball. Mas era ano de Copa do Mundo, e lá estava ele. Aguerrido, sob o suor de quem parece virar do avesso para chegar até ali. De cabelo descolorido, sangue celeste, envergava a camisa 9. O que ninguém esperava é que aquela garra sustentaria o ímpeto de lutar pela própria vida anos depois.
Aquela foi a primeira vez que vi o Uruguai em ação numa Copa. Um dos responsáveis por isso foi Dario Silva, o dono da camisa 9, à frente do ataque celeste por mais de dez anos.

Dez anos após ter a perna amputada, Darío Silva anuncia desligamento do esporte
Craque do Peñarol, estava lá quando perderam para o Botafogo nos pênaltis no único título internacional dos cariocas, e quando foram atropelados pelo São Paulo de Muricy Ramalho por 6 a 1, no primeiro caneco de Rogério Ceni pelo tricolor. Ambos os jogos aconteceram nas finais da extinta Copa Conmebol de 93 e 94.
Dario Silva também estava lá quando o Peñarol conquistou o tricampeonato nacional. Pela seleção em 2001, foi dele o gol que calou o Maracanã de Alex, Ronaldinho Gaúcho, Sávio e Rivaldo nas Eliminatórias da Copa. Quando o goleiro Carini não tinha mais o que fazer pela defesa, Dario não pensou duas vezes ao salvar o gol com a mão. Foi coroado com a miopia do juiz, que sob a ira dos brasileiros, mandou seguir o jogo.
Numa época de pirotecnia do futebol com os galácticos do Real Madrid, a França de Zidane e o Brasil pentacampeão, Darío cravou seu lugar do outro lado da história. Na região da Sardenha na Itália, anotou 20 gols pelo Cagliari. Na costa do Mediterrâneo na Espanha, fez o gol mais rápido do Espanhol com 7 segundos pelo Málaga. Fez dupla com Recoba, Eto’o e Luís Fabiano. Até que em setembro de 2006, um acidente na avenida que margeia a costa leste de Montevidéu quase tirou sua vida. Aos 33 anos, o uruguaio acordou sem uma das pernas que tanto o ajudaram a balançar o barbante.
Mesmo com uma prótese, o ex-camisa 9 do Uruguai permaneceu no futebol amador, e chegou a marcar dois gols num jogo beneficente. Essa semana, Darío Silva anunciou seu desligamento total do esporte. Amigo de Pepe Mujica, anti-herói uruguaio e o primeiro moralizador. Estava no campo, no álbum de figurinhas e na minha infância. Bem humorado, o rapaz que jamais gostou de concentração foi curto e objetivo ao resumir a nova fase da vida – “Hoje só me dedico a aumentar a pança”.
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