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Você é o que você posta, por José Roberto Peters

qua, 5 de novembro de 2014 00:04

José Roberto Peters *

Suas atitudes dizem muito sobre você. Aristóteles já dizia que somos aquilo que fazemos repetidamente. As redes sociais estão aí para que as pessoas se mostrem como são. É só ver os posts de uma pessoa para conhecê-la.

Quando Ariano Suassuna foi internado pela última vez uma publicação on-line antecipou a sua morte. Um amigo publicou. Eu e outros compartilhamos. A notícia se mostrou errada. Meu amigo entrou nos compartilhamentos e avisou a todos. A sorte é que ainda não havia atingido uma progressão geométrica. Os envolvidos se lançaram numa quase epopéia de ir até quem curtiu ou compartilhou para desfazer a notícia. E, ainda, todos que compartilharam escreveram notas de desculpas. Uma corrente de honestidade.

Certa vez uma pessoa — que não direi o nome por razões óbvias — postou uma notícia que me incomodou. Com esse incômodo fui à luta (pesquisa). Super fácil: uma googada e lá estava: notícia falsa. Plantada pelo devaneio de certo colunista de uma grande rede de televisão, com intenções espúrias, não tenho dúvidas.

Em seguida comentei na publicação dessa pessoa que a notícia era falsa. Pensei comigo: ela vai apagar. Era o mínimo. Ledo engano. Ela escreveu que não importava, porque acreditava na notícia. Tentei dissuadi-la, mandei o link da notícia verdadeira. Novo fracasso. Disse-me que a democracia e a liberdade de expressão garantiam que ela publicasse o que quisesse. Parei. Não vi horizonte naquela discussão.

O que essa pessoa pratica não é e nunca será democracia. E a tal liberdade de expressão virou muleta para discurso de ódio e subversão dos fatos. Não estou aqui a dizer que as pessoas não possam ter opiniões diferentes sobre fatos. Isso é do jogo. Isso é democrático. Porém, criar fatos que não existem para justificar opiniões é subverter a realidade. É tipo “pior para os fatos”, como dizia Nelson Rodrigues.

Se postas uma notícia ou foto falsas só posso pensar que não sabias — e poderás corrigir o erro, em qualquer tempo, e alertar quem acreditou em você. Ou, então, o que é pior, fez deliberadamente, para atingir algum objetivo, que não acredito ser lá muito bom.

E a internet é cruel: na campanha presidencial de 2010 a história da bolinha de papel não resistiu nem meia hora, e está colada até hoje no currículo do então candidato atingido. Corre por aí no facebook uma figura que diz tudo com a pergunta: antes da internet, como é que você fazia para passar vergonha?

Assim, na dúvida — se não quiser gastar uns minutinhos pesquisando ou se não tens más intenções —, poste gatinhos fofinhos. Sempre funciona bem. Lembre-se, você é o que você posta.

* Mestre em Educação Científica e Tecnológica, professor universitário e consultor técnico da OPAS no
Ministério da Saúde.

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