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Sou bolivariano. E você?, por José Roberto Peters

sex, 14 de novembro de 2014 00:03

* José Roberto Peters

Há um livro delicioso de Paulo Freire — A Importância do Ato de Ler — que toda gente devia ler. E entender, diga-se. O educador fala de sua prática pedagógica como prática política — aliás, todos os atos humanos são atos políticos —, e, como tal, nos ensina que a compreensão do texto a ser alcançada por uma leitura crítica “implica a percepção das relações entre o texto e contexto”.

Para Freire, ler vai além de decifrar códigos. E como a cobra mordendo o próprio rabo, ler o mundo precede a leitura da palavra, que, por sua vez, se volta para a leitura do mundo. Numa constante evolução.

Todos têm uma visão de mundo. Perdi a conta de quantas vezes me disseram: “conheço uma pessoa que pouco foi à escola, mas que discute qualquer assunto”. Ora, todo mundo pode discutir qualquer assunto. O problema está na profundidade que o faz e nas referências que usa ao fazê-lo.

Se você não tem mata-burro na sinapse vai ler, comparar o que leu com suas referências, e correr o risco de melhorar a sua visão de mundo, numa eterna dialética. Mas, se preferes ouvir o cara da TV ou ler o cara da revista, sinto informar que quando dizes “gosto desse cara porque ele fala verdades”, estás a repetir as “verdades” dele. E olhe que essa gente não é boba. Sabem muito bem que você é presa fácil para espalhar o que quer que seja: até coisas tortas.

Quer ver? Anda por aí um novo xingamento, propalado pelo cara da TV, o da revista e até por um juiz do STF. E porque você não lê não vai além dessa opinião emprestada, e quando vê alguém que pensa diferente vai logo gritando: seu bolivariano.

Arrisco a dizer que se você fosse atrás de outras fontes poderia encontrar um Bolívar que lutou contra o colonialismo espanhol. Pela abolição da escravidão. Por um sistema republicano contra a monarquia, e que defendia um conjunto de medidas para propiciar uma educação pública para todos.

Portanto, você tem uma escolha. Eu fiz a minha: sou bolivariano. E não me ofendo se me chamares assim. Não acho que seja xingamento.

* Mestre em Educação Científica e Tecnológica, professor universitário e consultor técnico da OPAS no
Ministério da Saúde.

1 Comentário

  1. Joe disse:

    Que pena a Gazeta do Triângulo dar espaço a esse tipo de ideia. Meu amigo, mude pra Cuba. Nossa bandeira ainda é verde-amarela.

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