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Desejos para o início do Novo Ano, por Mauro Sérgio Santos

ter, 6 de janeiro de 2015 05:39

* Mauro Sérgio Santos

Os economistas fazem prognósticos de recessão para 2015. Astrólogos seguramente fazem previsão de morte de famosos, catástrofes, resultados esportivos ou coisa parecida.

O sábio Rubem Alves, no entanto, alerta-nos: fé é desejo. Nesse sentido, como filósofo, por meio dessas linhas, faço a única coisa que a sinceridade filosófica me permite a aurora desse ano: partilhar meus desejos!

Desejo que em 2015, aprendamos a usar com responsabilidade as coisas e a amar as pessoas. Que no novo ano, livros sejam distribuídos em quantidade infinitamente maior que  mimos caríssimos ou brindes inócuos. Que recebamos mais cartões, abraços, flores e sorrisos  que e-mails, torpedos e  mensagens formatadas e impessoais.

Aprendamos do filósofo francês, Jean-Paul Sartre, que “não importa o que fizeram de nós. Importa o que faremos daquilo que fizeram de nós”. Que o homem inexoravelmente “é aquilo que ele decide ser”. E que, portanto, é, ele, o autor de sua história. Por isso, sua responsabilidade é imensa.

Compreendamos, que “a vida que levamos” é a única coisa que “levamos da vida”. Que não existe caminho pronto. O caminho se faz caminhando. Aliás, o caminho é a própria realização. E quem não sabe onde quer chegar não chega a lugar algum ou, no mínimo, não chega onde quer.

Nesta sorte, do bom e velho Sócrates, no solo sagrado de nossos corações, cravemos a máxima de que “uma vida sem exame não é digna de ser vivida” e a convicção de que “o reconhecimento da própria ignorância é o primeiro passo rumo à sabedoria”.

Aprendamos de Aristóteles “que a virtude está na justa medida”, na comedidade, na moderação e que “o homem é naturalmente político”; o que não se confunde com naturalmente corrupto, lacaio, nocivo. Aliás, é sempre bom lembrar que a corrupção, a mesquinhez, a falta de ética, o racismo, a homofobia e todos os tipos de preconceitos e formas de discriminação são aprendidas.É importante que se aprenda que ninguém nasce preconceituoso.

Faz-se mister, pois, continuamente “reaprender a ver o mundo” com os olhos de uma criança que acaba de ver um coelho saindo da cartola. Aprendamos, assim, a notar o mágico, o fantástico e o extraordinário que se faz presente no cotidiano, superando as concepções tacanhas, as ideias medíocres e a superficialidade na maneira como olhamos para o mundo, a vida, os seres e as coisas.

Que após a ressaca dos festejos natalinos, as palavras de Clarice Lispector nos presenteiem com a descoberta de que “amizade é matéria de salvação”.

. Compreendamos também __ é sempre bom lembrar __ que o SER deve se sobrepor ao TER; que reputação é menos importante que caráter. E que a fama e o sucesso são diferentes de realização. Aprendamos que prazer e alegria não são sinônimos de felicidade; e que risos, nem sempre traduzem bem estar ou consentimento.

Aprendamos que “curtidas” não significam aprovação, compartilhamentos não denotam solidariedade,”seguidores” não são necessariamente nossos amigos,informação não é conhecimento;e conhecimento não é garantia de sabedoria.

Enfim, para 2015, DESEJO que nos libertemos daquilo que nos é prejudicial e que abracemos com fé e amor o que nos faz bem, na certeza de que a vida se encarregará de nos retribuir na justa proporção.

* Membro da Academia de Letras e Artes de Araguari, mestrando em Filosofia e professor de Filosofia.
Autor do livro “Camaleão: metapoesia”
mauro.filos@hotmail.com

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