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* Maria Cristina Saraiva de Sousa
Dia 8 de março comemora-se o Dia da Mulher. E pensando sobre isto, me veio a cabeça a questão da violência doméstica. Segundo um estudo da OMS, mulheres que possuem maior grau de instrução fazem parte desta estatística numa escala menor.
O que leva uma mulher a ser agredida, física, verbal ou emocionalmente? (sim, destas 3 formas a violência se caracteriza). Não apenas devemos enfocar a agressão dita física. Por vezes a emocional traz tanta ou mais cicatrizes, do que essa.
Num primeiro momento, podemos caracterizar a violência cometida pelo parceiro, marido ou namorado, por um acontecimento isolado. Acontece, e depois das explicações, das desculpas e da aceitação por parte da mulher, tudo volta ao normal. Acontece uma segunda vez e como consequência por ter dado mais chances, acaba por acontecer a terceira. Daí em diante saiu fora do campo da compreensão.
Quem é esta vítima? Podemos caracterizar que geralmente são mulheres de baixa auto-estima, que acabam por se sentirem culpadas pela agressão sofrida, acreditam mesmo que são merecedoras do “castigo” que se traduz em violência e, como resultado, não falam do mesmo ou o denunciam, por vergonha. Raramente procuram ajuda em centros de atendimento e desenvolvem depressão como resultado de todo este processo. Mulheres com baixo nível intelectual e econômico que não possuem condições sociais para se manterem minimamente sozinhas e, na grande maioria das vezes, são mães.
Porém há também aquelas que em condições financeiras, sociais e intelectuais favorecidas, estão sujeitas a episódios de violência doméstica de repetição e se mantém assim, por mais que possuam os meios para dar um basta.
Então, chega-se a conclusão que não é somente por dependência financeira, ou por nível intelectual desfavorecido que este estado se estabelece, mesmo sendo em menor escala.
Um ponto em comum chama a atenção. Independentemente da condição em que vivem, parece existir uma necessidade de transcrever para o momento atual conflitos vividos durante tenra idade, ou seja, na infância ou adolescência.
Por que isto acontece? Poderíamos relacionar aqui a pulsão de vida e de morte, que segundo a teoria psicanalítica, levará o sujeito a “repetir” situações/comportamentos dos quais é vítima. Porém a vítima tem sempre um ganho secundário. Poderia dizer que há aqui uma tentativa da pessoa em manter uma igualdade que proteja a continuidade a nível de história de vida, atribuindo-lhe um sentido de ser.
São inúmeras as variáveis que podem ser observadas neste processo, que diria ser patológico. No trajeto de consolidação da condição feminina, a posição da mulher na sociedade ainda está muito aquém do desejado, mesmo que ultrapassado muitos fatores.
Não é de todo desconhecido que num contexto histórico, a mulher sempre teve um papel inferior ao do homem, embora muitas na sociedade contemporânea se destacam no desempenho de tarefas e ocupam cargos importantes.
Desta forma identificamos aqui fatores que desencadeiam o favorecimento desta circunstância. Num primeiro momento observamos o aspecto que abrange a condição socioeconomica, intelectual da mulher. Num segundo momento, dentro de uma teoria, que no caso a psicanalítica, colocaria a mulher (e não só) na mesma situação.
São variáveis distintas e que por motivos absolutamente singulares, favorecem determinado comportamento.
Para, identificar a causa ou causas ou como chegou àquela situação, é o primeiro passo para conseguir ajudar o sujeito a lidar com a condição de vítima de agressão; cujo objetivo sempre será o de conseguir ultrapassar e se livrar-se daquela.
* Psicóloga
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